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The Core at Festival Jazz - Lisbon, Portugal

11.09.2010 11:44 by Steinar Raknes

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FESTA DE (PRÉ-)ANIVERSÁRIO
texto Nuno Catarino

Nas vésperas de festejar 10 anos de existência, o grupo norueguês tem o seu novo “Party” marcado para o Cais da Pedra. Um jazz de estalo com o “bum” do rock é o que se promete.

Os The Core vêm da Noruega e estão perto de comemorar uma década de existência. Desenvolvem uma música cheia de força, herdeira da energia do free jazz, mas com ideias frescas. São cinco: os saxofonistas Kjetil Møster e Jørgen Mathisen e a secção rítmica de Erlend Slettevoll, Steinar Raknes e Espen Aalberg. Em Setembro vão ter novo disco, apropriadamente intitulado “Party”, e participarão no festival da revista jazz.pt.

«Éramos todos estudantes de jazz no Conservatório de Trondheim, no início de 2000, em turmas diferentes. Eu e o contrabaixista falávamos muito sobre criar uma banda para tocar música original. O Steinar tinha tocado num concerto com o pianista Erlend Slettevoll e sugeriu que este se juntasse. E Kjetil Møster, o nosso primeiro saxofonista [entretanto o grupo tem colaborado com o saxofonista Jørgen Mathisen], frequentava as mesmas aulas que eu. Em 2001 fizemos alguns ensaios e um primeiro concerto», conta Aalberg. Depois, o grupo esteve algum tempo parado, mas no ano de 2004 tudo mudou: «A partir dessa altura começámos a dar imensos concertos, tocámos em todos os festivais noruegueses e editámos o nosso primeiro disco.»

É assim que o baterista caracteriza o som do grupo: «A nossa imagem de marca é uma música enérgica. Acho que a nossa identidade está na forma como tocamos jazz, mais próxima do rock e misturando um “groove” funk.» O quinteto tem na estabilidade um dos seus pontos fortes. «Sempre tentámos manter-nos fiéis às intenções iniciais da banda.»

Ainda assim, no disco anterior de 2009, “The Core & More”, o grupo tocou com outros músicos, Vidar Johansen, Magnus Broo e Jonas Kullhammar, sendo este último quem virá a Lisboa. A composição foi escrita propositamente por Johansen: «É um músico que também trabalha com uma perspectiva acústica, tal como nós, e conhecia bem a nossa música. A maior diferença deste CD é que há um maior trabalho ao nível dos arranjos.»

Tal como os anteriores, este novo disco irá ser editado pela Moserobie, a editora dirigida por Kullhammar que tem como “slogan” “Independent Jazz for the World Peace” (Jazz Independente para a Paz Mundial). Os objectivos do grupo não são prioritariamente políticos, mas fazem-se sentir. Diz Espen Aalberg: «O que nós queremos é que as pessoas se divirtam ao ouvir a nossa música. Esperamos apenas que as pessoas tenham uma boa experiência, tal como nós quando ouvimos música de que gostamos. Se isto conduzir à paz, naturalmente que nos vai fazer felizes.»

Se no novo álbum reencontramos o primeiro saxofonista do grupo, Kjetil Møster, a sua substituição por Kullhammar não trará grandes mudanças: «O Kjetil esteve connosco até 2007. Depois começou a ter muitos concertos com o seu projecto de rock, Datarock, e não conseguia conciliar as duas actividades. Ele voltou a juntar-se a nós no início deste ano, juntando-se a Jørgen Mathisen. A sua substituição não muda a nossa expressão musical, mas dá-nos um som mais cheio. E também ficamos com mais opções para os arranjos, uma vez que os dois saxofonistas têm estilos diferentes.»

Este novo título terá, naturalmente, diferenças em relação ao anterior: «Ouvi há pouco o nosso primeiro CD e “Party” tem muito mais camadas de som. Naquele nosso disco de 2004, “Vision”, o que interessava era a energia. Se agora a energia continua presente, está mais controlada, o que faz com que tenhamos mais variações na música.»

A actuação no Festival jazz.pt insere-se numa pequena digressão dos The Core em Portugal, esperando o porta-voz da banda encontrar bons públicos: «Se tal acontecer, voltaremos a dar mais concertos em Portugal no futuro.» Alguns projectos estão na calha: em 2011 a banda celebra dez anos de actividade contínua e vai percorrer a Europa. Outro dos planos é uma colaboração com músicos africanos. «Back to the roots!», refere um entusiasmado Aalberg.

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